Levantamento mostra que quem começa aos 18 anos precisa guardar menos de R$ 100 mensais — valor menor do que muitos gastam com streaming ou delivery.
Uma pesquisa da Anbima divulgada em abril escancarou uma contradição comum entre os brasileiros: 57% dizem querer poupar para a aposentadoria, mas apenas 16% de fato guardam dinheiro com esse objetivo. O gap entre intenção e realidade tem explicação, segundo especialistas, mas também tem solução — e ela pode custar menos do que parece para quem começa cedo.
"Muitas pessoas acabam priorizando as necessidades do presente e deixam a aposentadoria para depois. Além disso, existe uma percepção equivocada de que ainda há muito tempo para começar ou de que o INSS será suficiente para manter o padrão de vida no futuro", afirma Otavio Camargo, economista e planejador financeiro.
Um dos instrumentos mais recomendados por especialistas para quem quer construir uma renda de aposentadoria é o Tesouro Renda+. O título funciona em duas fases: na primeira, o investidor acumula recursos ao longo dos anos; na segunda, a partir da data de vencimento escolhida, passa a receber uma renda mensal garantida por 20 anos consecutivos. O valor recebido é atualizado pelo IPCA, o índice oficial de inflação, o que preserva o poder de compra independentemente de quanto o custo de vida suba ao longo do tempo. O papel pode ser comprado diretamente pelo site do Tesouro Direto ou por corretoras, com aporte mínimo baixo e liquidez diária.
Com base nas taxas de rentabilidade refletidas nos preços atuais do Tesouro Renda+, o Tesouro Direto simulou quanto uma pessoa precisaria investir mensalmente para garantir, na aposentadoria, uma renda equivalente ao salário mínimo vigente. O resultado varia bastante conforme a idade de quem começa:
Idade atualAporte mensal necessário18 anosR$ 96,7625 anosR$ 140,8430 anosR$ 208,5335 anosR$ 313,1140 anosR$ 479,2845 anosR$ 796,4750 anosR$ 1.496,2355 anosR$ 4.176,76
Fonte: Tesouro Direto
Os números revelam uma progressão bastante acentuada. Quem tem 18 anos e começa agora precisa guardar menos de R$ 100 por mês — menos do que muitos brasileiros desembolsam com planos de celular, assinaturas de streaming ou pedidos de delivery. Aos 35 anos, esse valor já passou de R$ 300. Aos 50, ultrapassa R$ 1.400. E quem espera até os 55 precisará colocar mais de R$ 4.000 todo mês para chegar ao mesmo resultado.
O responsável por essa diferença tão expressiva é o efeito dos juros compostos ao longo do tempo. Quando um jovem de 18 anos aplica R$ 97 mensalmente, cada real investido tem 42 anos para crescer — rendendo sobre o rendimento anterior, mês após mês, num ciclo que potencializa de forma exponencial o valor acumulado. Conforme os anos passam, essa janela se fecha, e o investidor precisa compensar o tempo perdido com contribuições cada vez maiores.
"Os juros compostos criam um efeito de crescimento exponencial do patrimônio, especialmente para quem começa cedo e mantém disciplina nos aportes", explica Camargo. "O tempo passa a trabalhar a favor do investidor, reduzindo a necessidade de grandes contribuições futuras."
E quem já tem uma reserva guardada?
O Tesouro Direto fez uma segunda simulação considerando um cenário diferente: o do investidor que já dispõe de R$ 10 mil para aplicar de uma vez — seja por uma reserva existente ou por uma restituição do Imposto de Renda, por exemplo. Com esse aporte inicial, o valor mensal necessário cai em todos os casos:
Idade atualAporte mensal necessário18 anosR$ 36,7725 anosR$ 78,5530 anosR$ 140,2835 anosR$ 238,8240 anosR$ 405,5545 anosR$ 704,5750 anosR$ 1.369,1955 anosR$ 3.921,84
Fonte: Tesouro Direto
O impacto do aporte inicial é especialmente visível para os mais jovens. Para o investidor de 18 anos, os R$ 10 mil aplicados de uma só vez reduzem o esforço mensal em cerca de 62% — de R$ 96,76 para R$ 36,77. Com mais de quatro décadas pela frente, esse dinheiro tem tempo suficiente para ser multiplicado pelos juros compostos de forma muito eficiente.
À medida que a idade avança, o efeito do valor inicial vai perdendo força. Para quem tem 55 anos, a diferença cai de R$ 4.176,76 para R$ 3.921,84, uma redução de pouco mais de 6%, ou seja, R$ 254,92 a menos por mês. Os R$ 10 mil ainda ajudam, mas têm apenas dez anos para trabalhar — tempo insuficiente para que os juros compostos façam o mesmo efeito que fariam em décadas.
Um ponto importante do Tesouro Renda+ é justamente a proteção contra a inflação. Como a renda recebida na aposentadoria é corrigida pelo IPCA, o investidor não precisa se preocupar com a corrosão do poder de compra ao longo do tempo. Se hoje um salário mínimo cobre determinado padrão de vida, a renda recebida lá na frente cobrirá o mesmo padrão — mesmo que o valor nominal do salário mínimo seja muito maior daqui a 30 ou 40 anos por conta da inflação acumulada.