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Mar avança sobre terras agrícolas: estudo alerta para crise alimentar em 14 países europeus e norte-africanos

Estudo publicado em 2025 alerta que a elevação do nível do mar pode inundar permanentemente áreas agrícolas estratégicas na Europa e no Norte da África, ameaçando a produção de alimentos, ampliando a salinização dos solos e colocando em risco a segurança alimentar de milhões de pessoas nas próximas décadas.

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Por Redação

Redação Diário do Mundo

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Mar avança sobre terras agrícolas: estudo alerta para crise alimentar em 14 países europeus e norte-africanos

A elevação do nível do mar representa uma ameaça crescente e ainda pouco debatida para a segurança alimentar global. Um estudo publicado em 2025 na revista Scientific Reports, da editora Nature Research, revelou que cenários com elevação de até cinco metros no nível do mar podem provocar a inundação permanente de importantes zonas agrícolas costeiras em 14 países localizados na Europa e no Norte da África. A pesquisa, liderada por Federico Martellozzo e sua equipe, aponta perdas significativas de terras aráveis em regiões que vão do Mediterrâneo ao Atlântico, com impactos diretos sobre a produção de alimentos e as economias locais.

Itália, Espanha, Marrocos e Egito figuram entre os países mais vulneráveis identificados no levantamento. Para essas nações, a combinação de litoral extenso com alta concentração de atividades agrícolas costeiras eleva consideravelmente o risco associado à elevação do mar, reforçando a urgência de políticas de adaptação e estratégias de mitigação no setor agrário.

Que regiões estão em risco e por quê

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As zonas mediterrâneas e atlânticas concentram grande parte da agricultura costeira afetada nos cenários projetados pelo estudo. Nessas regiões, a combinação entre baixa altitude, proximidade com o mar e a presença de planícies altamente produtivas cria um perfil de vulnerabilidade particularmente elevado. A inundação permanente dessas áreas reduziria de forma significativa a disponibilidade de terras cultiváveis, comprometendo tanto o abastecimento alimentar local quanto as exportações agrícolas que sustentam economias dependentes do setor.

Um dos mecanismos mais preocupantes nesse processo é a intrusão salina. Quando a água do mar avança sobre solos costeiros, mesmo sem os inundar completamente, ela eleva a salinidade do terreno a níveis que inviabilizam o cultivo de praticamente qualquer cultura agrícola convencional. A saturação progressiva do solo compromete sua estrutura física e química ao longo do tempo, tornando a recuperação uma tarefa complexa, cara e demorada mesmo após o recuo das águas.

Perdas esperadas e o impacto nos países mais vulneráveis

Para os 14 países incluídos no levantamento, as projeções indicam que a perda de terras aráveis não seria uniforme, mas concentrada em faixas específicas da costa onde a agricultura está mais estabelecida e mais próxima do nível do mar. Itália, com extenso litoral mediterrâneo e tradição agrícola em planícies costeiras como as do Po e do Nilo italiano, está entre os casos mais citados. Marrocos e Egito, que dependem fortemente de faixas irrigadas próximas à costa e ao delta do Nilo, apresentam vulnerabilidade de outro tipo: perder essas terras significaria não apenas redução de produção, mas potencial crise de abastecimento com implicações sociais profundas.

A Espanha, por sua vez, tem regiões costeiras como Valência e Múrcia como algumas das mais produtivas do país, exportando frutas e vegetais para toda a Europa. A inundação de zonas agrícolas nessa faixa do litoral mediterrâneo espanhol representaria não apenas uma perda local, mas um impacto nas cadeias de abastecimento de vários países europeus.

Cenários extremos e a necessidade de planejamento urgente

O estudo trabalha com cenários de elevação de até cinco metros, que representam projeções de longo prazo ligadas a situações de derretimento acelerado das calotas polares em contextos de aquecimento global extremo. Embora esses cenários não descrevam o futuro imediato, funcionam como ferramenta para avaliar a vulnerabilidade estrutural dos territórios costeiros e orientar decisões de planejamento que precisam ser tomadas agora para produzir efeitos nas próximas décadas.

Os pesquisadores afirmam que a vulnerabilidade das zonas mediterrâneas e atlânticas é especialmente crítica porque essas regiões combinam alta produtividade agrícola com baixa altitude e histórico de pressão sobre os recursos hídricos costeiros. Sem ações concretas de proteção — como diques, sistemas de drenagem, deslocamento gradual de culturas para áreas mais elevadas e adaptação de variedades agrícolas ao solo salgado —, as perdas projetadas podem comprometer a segurança alimentar de populações inteiras que dependem dessas regiões para se alimentar.

O alerta dos pesquisadores sobre urgência e adaptação

A mensagem central do estudo é de que o tempo para agir é agora, antes que os cenários extremos se materializem. A pesquisa evidencia que a elevação do nível do mar, mesmo em projeções moderadas, já representa risco real e iminente para a agricultura costeira de uma faixa expressiva do mundo mediterrâneo. O relatório reforça a necessidade de que governos, organismos internacionais e o setor privado integrem os riscos costeiros ao planejamento agrícola de longo prazo, incorporando cenários climáticos nas decisões sobre onde e como cultivar nas próximas décadas.

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Jornalista da redação do Diário do Mundo, com cobertura em Curiosidade.

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